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Quarta-feira - 8 de setembro de 2010 |
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Com crise ou sem crise, investir em pessoas é o melhor negócio

A crise financeira que começou nos Estados Unidos não deve afetar de maneira drástica as perspectivas otimistas desenhadas para o Brasil em termos de seleção e contratação de profissionais,

Apesar de gerar naturalmente um cenário de incerteza e ansiedade, a crise financeira que começou nos Estados Unidos e vem se desdobrando para as mais importantes economias mundiais não deve afetar de maneira drástica as perspectivas otimistas desenhadas para o Brasil em termos de seleção e contratação de profissionais.

 

De um modo geral, a percepção preponderante é de que, a julgar pelo comportamento das empresas que já haviam iniciado seus processos, e deram continuidade às suas ações neste campo, os estilhaços da crise devem atingir de forma mais direta apenas o segmento financeiro e, de maneira mais moderada, setores relacionados ao comércio internacional.

 

Um indício desta previsão está no fato de que a procura por executivos se manteve aquecida nos últimos meses. Neste aspecto específico, há até uma certa expectativa no ar, já que com o retorno de alguns profissionais que estavam fora do Brasil, talvez seja possível preencher com mais assertividade posições de alto escalão que continuavam em aberto por falta de pessoas qualificadas.

 

O mesmo vale para a busca por jovens talentos, que se reflete na manutenção dos programas de trainees. Apesar da crise, ainda existe um déficit considerável de jovens talentos para inúmeras áreas, e a busca por pessoas diferenciadas não deve se alterar significativamente. Talvez até ao contrário, pois é justamente em momentos de instabilidade que os talentos fazem ainda mais diferença.

 

O que deve se acentuar no próximo ano, isso sim, é a busca por profissionais flexíveis, com boa capacidade de adaptação a novos cenários, que sejam resistentes em momentos de tensão e criativos. Afinal de contas, em períodos de grande lucratividade, eventuais lacunas no perfil comportamental passam mais facilmente despercebidas. Já em momentos de instabilidade são os mais bem preparados e criativos que se saem melhor e conseguem até se fortalecer – e fortalecer as empresas - com os desafios que precisam encarar. Não é à toa que as palavras “crise” e “criatividade” têm a mesma raiz.

 

E é necessário que se diga também: empresas que investem em gestão de pessoas há algum tempo, mapeando as competências dos seus colaboradores, capacitando-os em suas deficiências e selecionando gente diferenciada para posições estratégicas, a fim de atender às necessidades dos seus negócios, tendem a suportar melhor as eventuais turbulências como as que estão no horizonte agora.

 

Para estas, a crise talvez resulte apenas em tomadas de decisão mais pontuais, como fazer um job rotation entre um executivo mais ousado e outro mais cauteloso até que os ventos voltem a soprar mais brandos. Conhecendo bem seus colaboradores, sabendo dos seus potenciais fica mais fácil fazer os ajustes necessários, corrigir a rota e se manter no caminho.

 

Quanto às demais empresas, as que ainda estão ensaiando a adoção de um sistema de gestão de pessoas mais arrojado e eficaz, fica a torcida para que superem eventuais dificuldades e se conscientizem enfim de que investir em pessoas ainda é um dos investimentos mais seguros e com retorno garantido que uma companhia pode fazer.

Em: 1/12/2008


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